HISTÓRIA DO TRABALHO

A primeira condição de toda a história humana é evidentemente a existência de seres humanos vivos”.
(Marx e Engels – A ideologia Alemã)

História do trabalho propõe-se mais que somente um tema. Espera-se que seja compreendida como um projeto político-pedagógico para a exposição, debate e reflexão sobre o trabalho e, conjuntamente, das estruturas e relações sociais. A História do trabalho é, ao fim, a história das relações de produção. Portanto a história da ação-transformação de homens e mulheres; do protagonismo desses indivíduos em sua interação com a natureza, com os meios de produção, com a sociedade, individual e coletivamente ao longo do tempo.

Além disso, o trabalho percebe-se presente na sociedade desde os primórdios da humanidade, sendo possível incluir diversas atividades em sua proposta. Desde a antiguidade até os dias mais recentes, até os dias que virão. Trata-se do desenvolvimento social, da exploração, da hierarquia, da opressão, da educação, da fome, da moradia, da economia, da política e suas formas de governo, do emprego e do desemprego, da escravidão. Acima de tudo, a história do trabalho é a história dos trabalhadores, das trabalhadoras, da luta de classes.

A história de todas as sociedades que existiram até nossos dias tem sido a história das lutas de classe”.
(Marx e Engels – Manifesto Comunista)

Debater as questões relacionadas ao trabalho envolve discutir todas as relações sociais e políticas que permeiam o trabalho, trabalhadores e trabalhadoras, a classe trabalhadora. Muitas vezes, o conceito de classe trabalhadora remete a um segmento social tido como homogêneo, mobilizado e revolucionário, quer nas primeiras greves operárias de 1917 no Brasil, quer as recentes mobilizações de trabalhadores em Portugal.

Porém, uma das maiores virtudes do historiador é desnaturalizar todo e qualquer tipo de conceito que aparentemente se apresenta como dado. Cabe aos historiadores entenderem não só o porque das características que aparecem como implícitas ao se falar de algo (seja esse algo segmento social, um fato histórico ou uma manifestação artística), como também perceber que nem sempre as classificações gerais podem ser utilizadas. Em muitos casos, as classificações mais abrangentes acabam por deixar de fora inúmeras nuances que, através desse olhar distanciado acabam não revelando a amplitude do problema.

Mas dinamizar classificações gerais não significa dizer que o conceitos como classe são ultrapassados, que não devem ser mais usados. Ao tentarmos compreender da melhor maneira nosso objeto de estudo, sem obscurecê-lo por categorias que já serviram a outros objetos, as vezes deixamos de ver as relações a ser estabelecidas entre os objetos, de compreender fatos específicos dentro do seu contexto geral. Tratemos os conceitos como eles são: apenas conceitos, não como dogmas ou receitas.

É pensando nisso que se sugere a História Social do trabalho como tema para a III Semana de História da Unifesp. Por mais que trabalho seja um tema recorrente tanto em currículos quanto em publicações acadêmicas, pensa-se que cabe a discussão das relações sociais que permeiam a classe trabalhadora para compreender desde o porquê de ser tão natural pensar na classe trabalhadora como a classe revolucionária, como compreender os rumos atuais que os trabalhadores a trabalhadoras tomam.

Entende-se que a História deve ser sempre uma ferramenta, no sentido de servir às discussões atuais, dando fundamentação histórica para problemas presentes na sociedade em geral. Sendo assim, desenvolver o tema do Trabalho é importante para que não se pense na classe trabalhadora como esquecida em um passado somente revisitado em pesquisa. Essa classe trabalhadora está presente na sociedade, através de coletivos, movimentos sociais e sindicatos, e continua atuando em busca de melhores condições. Tendo em vista que o papel da História é servir de base para apoio dessas discussões, é necessário atentar-se a essa questão latente à sociedade.

Desenvolver um tema que se pretende pensar sobre as relações sociais e políticas presentes na classe trabalhadora é também uma tentativa de fazer com que a História saia de seu lugar de discussão por excelência, que é a sala de aula. A História é um patrimônio da sociedade que a viveu e a continua vivendo, e portanto, é com essa sociedade que a História deve dialogar. Evidentemente que se considera essencial a discussão dentro do meio acadêmico. Porém essa discussão acaba por perder o sentido se não tiver um norte, um fim. Por isso que discutir a História Social do trabalho é tão importante; para poder atentar-se que cotidianamente a classe trabalhadora está presente, e que muitas vezes a aproximação entre as discussões feitas em âmbito acadêmico e as lutas que a atual classe trabalhadora desenvolve será benéfica para ambas: à compreensão e ao fortalecimento dos mesmos.

Acreditar, como dizem, que as contradições do capital e do trabalho não existem, ou que nunca serão reconhecidas e que jamais sofrerão a ação daqueles que mais sentem seus impactos devastadores, exige que também se acredite que o povo nada mais é do que cegos idiotas para sempre hipnotizados pelas promessas da “circulação econômica” universalmente benéfica do capital, embora os fracassos monstruosos do sistema afetem diretamente a vida de bilhões de pessoas.”
(Para além do capital – István Mészáros)

OBJETIVOS ESPECÍFICOS

  •  Identificar os diferentes modos de produção;
  •  Discutir o papel do trabalho e do/a trabalhador/a na sociedade;
  •  Compreender a relação entre trabalhadores/as e os respectivos modos de produção em determinados períodos;
  •  Avaliar rupturas e continuidades dessas relações;
  •  Analisar a formação de novas classes sociais e os interesses na transição do trabalho escravo para o assalariado;
  •  Compreender as diferentes formas de exploração;
  •  Refletir sobre o papel de transformação da sociedade atribuído à classe trabalhadora;
  •  Discutir as formas de organização da classe trabalhadora como forma de resistência;
  •  Refletir o histórico de desigualdade social na ocupação do campo e da cidade, as lutas e resistências aí inseridas e suas perspectivas hoje;
  •  Defender a memória das lutas sociais contra-hegemônicas;
  •  Apresentar a produção cultural dos trabalhadores ou à ela direcionada;
  •  Compreender a função da educação para a classe trabalhadora, bem como novas abordagens e experiências de concepções críticas;
  •  Refletir a respeito do histórico de identidade, integração, lutas e revoluções dos trabalhadores;
  •  Discutir as ações políticas e o próprio Estado e sua relação com a classe trabalhadora.

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